Ajustamentos à realidade dolorosa

Ajustamentos à realidade dolorosa

O organismo humano é extremamente hábil em ajustar-se a várias situações. Tem meios de compensar as perdas e de tentar recuperar o perdido. Quando uma criança não recebe a confirmação do seu valor e do seu merecimento, começa a adaptar-se, a agir e reagir de modo a não passar pelo crivo da dor e/ou a preencher os seus vazios dolorosos. Algumas
das suas estratégias terão como fim evitar mais sofrimento, enquanto outras terão como meta ganhar amor. Gostaria de percorrer uma lista breve e incompleta dessas estratégias, sintomas comportamentais que aparecem nas pessoas que não aprenderam a amar-se e a estimar-se. A gravidade do sintoma e a frequência com que é utilizado serão sempre proporcionais à maior ou menor ausência de auto-estima e amor ao eu.

Exagerar ou gabar-se.

Por definição, a pessoa que se gaba elogia-se com o objectivo de ganhar reconhecimento e um sentido de valor tanto a seus próprios olhos, como aos olhos dos outros. Como percebemos muitas vezes, o gabarola não apenas tenta convencer-nos das suas habilidades ou do seu valor, mas também tenta convencer-se a si mesmo; em geral, depara com a descortesia. Muitas pessoas terão prazer em pô-lo no seu devido lugar. e o resultado é o contrário do que ele espera. O problema é que o contador de vantagem está convencido de que a aceitação e o amor são condicionais e ele tenta apresentar as suas credenciais como titulo de ingresso no amor.

Atitude crítica

A pessoa que não se ama pode adaptar-se à sua situação tornando-se um critico dos outros, descobrindo sempre e apontando os seus defeitos. Obviamente, estas acusações são sempre auto-acusações, embora a pessoa não o perceba. A sua crítica é baseada numa projecção daquilo que ela pensa que é. Já que odiar-se a si mesma pela sua falta de valor e pelos seus erros seria doloroso demais, projecta-os nos outros e passa a espalhar o seu veneno com propósitos destrutivos.

Racionalização

A pessoa sem amor por si mesma não tem sentido do valor pessoal e avalia-se unicamente através da própria actuação. Consequentemente, quando esta deixa algo a desejar, imediatamente se desculpa, racionalizando o seu erro. Seria
doloroso demais admitir que está errada e confessar as suas faltas e os seus erros. Nunca se aceita perder uma discussão ou dar uma informação errada, etc. O seu valor é sempre condicional e tais erros destruiriam os seus últimos traços de auto-respeito.

Perfeccionismo

Uma pessoa assim tenta obter uma perfeição meticulosa em tudo o que faz. A boa actuação é condição necessária para obter reconhecimento e amor e assume uma importância crucial na vida da pessoa. Tenta permanentemente passar no teste, pagando o preço de admissão ao sentimento de valor pessoal. Todo o seu empenho é no sentido de satisfazer as expectativas daqueles que podem aceitá-la ou rejeitá-la.

Timidez

Já que lhe ensinaram que os outros vão aceitá-la somente sob certas condições, a reacção básica desta pessoa diante das outras é de medo. Tem medo de ser criticada, de ser avaliada e de ser rejeitada.
Para não correr tais riscos, enclausura-se e protege-se atrás de um véu de timidez. Em situações
nas quais perde a confiança, sente-se tímida e retraída.
É uma espécie de casulo psicológico contra o fracasso.
O problema é sério, uma vez que a sua pessoa e o seu valor estão sempre em causa.

Auto-depreciação

Para se ajustar a esta condição dolorosa de vazio, a pessoa pode pintar um quadro tão depreciativo de si mesma que os outros não esperarão muito dela, evitarão criticá-la e até poderão vê-la com simpatia. A imagem de uma “vitima desprotegida” não ameaçará os outros, e o tratamento que lhe darão pode até incluir uma tentativa de a encorajar.

Raiva

A pessoa atormentada pela falta de valor pessoal odeia, em primeiro lugar, a sua própria inadequação e a sua falta de importância. Logo de seguida, odeia-se a si mesma. Quando esta raiva se volta para a própria pessoa, toma a forma de depressão e tristeza. E muito menos penoso desafogar a raiva nos outros, expressando a própria dor através de um ataque de fúria.

Docilidade defensiva

Um outro ajustamento possível à ausência de uma verdadeira auto-estima é o de tornar-se cumpridor submisso de qualquer regulamento, lei e regra, com precisão mecânica. Esta pessoa aprendeu muito cedo que a submissão traz
recompensas sob a forma de um sorriso ou um abraço e, por isso mesmo, continua a tentar. Procura ser uma pessoa inteiramente boa e obediente. Sente-se, com isto, mais segura contra críticas, uma vez que pode esconder o seu verdadeiro eu atrás da obediência às regras. Esta pessoa busca continuamente a aprovação dos outros.

Tornando-se solitário

A pessoa com o ego ferido obviamente vai sentir-se mais segura não se envolvendo com outras pessoas. Estas poderão descobrir que ela não merece ser amada por si mesma. Começarão a impor-lhe as mesmas condições antigas e repetidas para lhe oferecerem reconhecimento e amor. E mais fácil evitar este jogo cansativo, mantendo-se sozinha. Pode fingir uma sociabilidade superficial, mas, no fundo, está essencialmente sozinha.

Tornando-se campeão

Em certo sentido, todos acreditamos que o que fazemos compensará aquilo que não somos internamente. Somos tentados a perseguir a realização de “grandes feitos”, a possuir coisas grandiosas e magníficas, na esperança de que
elas nos tragam atenção e reconhecimento. Para as pessoas que tentam um ajustamento desta natureza, as realizações e as posses constituem uma extensão do eu, e tais pessoas necessitam de toda a «extensão» Que puderem obter.

Máscaras, papéis, fachadas

A pessoa que recebeu e conheceu apenas o amor condicional não pode tolerar críticas às suas acçôes e opiniões ou à própria pessoa. Foi ferida e não quer arriscar mais a sua vulnerabilidade. A crítica às suas acções ou à sua pessoa arruinaria toda a sua existência. Pode procurar abrigo de tal crítica devastadora vivendo um papel no palco da vida, em vez de se mostrar às pessoas.
Se alguém criticar a sua própria pessoa ou os seus actos autênticos, ela será destruída.

lntrojecção

Estando basicamente insatisfeita consigo mesma, a pessoa que se desvaloriza tenderá a identificar-se com outra, de preferência um herói conhecido por todos ou um herói particular. Será como o rapaz que imita os gestos de um atleta famoso ou como a rapariga que finge ser uma artista de cinema.
Ambos “introjectam” qualidades e habilidades que não possuem; mesmo não sendo autênticas, o efeito é consolador.

Amabilidade absoluta

Uma das características mais tristes das pessoas que não podem se amar é serem permanentemente boazinhas. Este tipo de pessoa concordará com qualquer coisa a qualquer momento só para obter algum reconhecimento e aprovação. Não faz, porém, de maneira genuína, tornando-se triste e acomodada. Contudo, prefere ser cordata a todo o custo a experimentar uma solidão absoluta.

Cinismo, desconfiança

Já que não se valoriza. esta pessoa também não confia em si mesma. Na crença cega de que todos são como ela, estende e projecta a sua falta de confiança sobre as outras pessoas. Não acredita e não confia em ninguém.

Retraimento

O retraimento é diferente da timidez, que se refere a relutância em inicar relacionamentos pessoais. O retraimento refere-se ao receio de arriscar, de tentar coisas novas. Receosa de amar e ser amada devido ao perigo do fracasso e da rejeição final, a pessoa que não se valoriza terá medo de tentar qualquer coisa significativa. Está, na verdade, separada de grande parte da realidade por causa do seu medo. Não experimenta o novo por medo de errar. Tem receio de expressar-se porque pode cometer algum equívoco ou alguém pode opor-se a ela. Tem medo de abrir-se aos outros porque eles podem desamá-la.

Sumário

Cada pessoa nasce com um valor único e incondicional. Cada um de nós é misterioso e não se repete em todo o curso da historia humana, criado a partir da imagem e semelhança do próprio Deus. Mas só podemos conhecer-nos como um reflexo nos olhos dos outros. Assim sendo, o nosso dom da auto-estima é, em grande parte, um presente dos nosso pais. Se tivermos percebido – como é o caso da maioria das pessoas – que o seu amor por nós era condicional; que era “ligado” só quando satisfazíamos as suas condições e “desligado» quando não as satisfazíamos; que este amor não era baseado naquilo que somos, mas na nossa actuação, podemos apenas concluir que o nosso valor está fora de nós mesmos. Não há um motivo interior para o verdadeiro amor ao eu  par a auto-estima e auto-apreciação. Não há razão para para celebrar.

Quando o critério para merecer amor é uma questão de passar em testes e preencher condições, começamos a experimentar mais fracassos do que êxitos. Na experiência repetida do fracasso aparecem o conflito, o medo, a frustração, a dor e por fim, alguma forma de ódio de si mesmo. Passamos o resto das nossas vidas tentando escapar desta dor  através de um dos mecanismos descritos acima. Ou tentamos assumir uma fachada que agrade aos outros  e nos traga aceitação e amor. Desistimos de ser nós mesmos e tentamos ser uma outra pessoa, alguém que seja digno de reconhecimento e afeição.

Do livro: «O segredo do amor eterno» – Jonh Powell

Editado por: Isabel Pato

Medicina ayurvedica

Medicina ayurvedica

A medicina ayurvédica é um sistema  holístico de cura praticado há séculos no Índia e em países circundantes, como a Sri Lanka. Embora firmemente assente numa perspectiva filosófica asiática  a abordagem médica ayurvédica está a tornar-se cada vez mais apreciada no Ocidente.

A  medicina ayurvédica considera que a constituição de cada pessoa é influenciada por três doshas (energias vitais) básicas, designadas por yata, pitta e kapha.
O equilíbrio entre estas energias determina o potencial de saúde de cada indivíduo, ao mesmo tempo que influencia a experiência que esse indivíduo tem do mundo que o rodeia. Uma vez que os problemas de saúde resultam de uma perturbação das energias corporais vata, pitta e kapha, um praticante ayurvédico experiente consegue perceber, por análise dos sinais e sintomas visíveis, qual a dosha que se encontra perturbada, podendo sugerir ajustamentos no estilo de vida e nos hábitos pessoais, como forma de restabelecer o equilíbrio e a saúde.

Descrição geral

O equilíbrio das três doshas pode ser influenciado antes do nascimento, dependendo das doshas dominantes nos progenitores no momento da concepção. Embora seja provável que as três energias estejam presentes na constituição do bebé, só é provável que ocorram fragilidades constitutivas capazes de suscitar doenças quando uma ou duas doshas são dominantes. Há outros factores que podem influenciar a constituição do bebé, como a saúde física e emocional da mãe durante a gravidez, a qualidade da dieta materna e a natureza do nascimento.
Da perspectiva de um praticante ayurvédico, o equilíbrio e a relação entre as três doshas de cada pessoa altera-se constantemente, por reacção a factores ambientais. Assim, embora uma pessoa possa nascer com uma constituição em que a kapha é dominante, as doshas pítta e vata poderão ascender ao primeiro plano, de acordo com a qualidade da dieta da pessoa, a quantidade de exercício que ela praticar ou o grau de pressão física e emocional a que for sujeita. Desde que estas alterações ao equilíbrio diário não sejam devastadoras, e que se dêem passos positivos no sentido de proteger a saúde e o bem-estar, estes deverão prevalecer.

A abordagem ayurvédica é verdadeiramente holística, dado que enfatiza a introdução de uma série de alterações no estilo de vida da pessoa, como a adopção de uma dieta mais adequada, de mais exercício, de maior dedicação à descontracção ou à meditação, e de um sono mais regular ou de maior qualidade. Esta perspectiva está em nítido contraste com a abordagem médica ortodoxa, que tende a preferir os medicamentos ou a cirurgia como opção inicial, considerando os conselhos gerais relativamente ao estilo de vida uma opção secundária e acessória.

As três doshas

As três doshas ou energias, são consideradas responsáveis por todos os processos vitais que ocorrem a nível mental, emocional e físico. São forças essenciais, responsáveis pelos processos biológicos de crescimento, desenvolvimento e decadência. Os atributos físicos, mas também as potenciais características mentais e emocionais, podem ser interpretados no contexto dos caracteres próprios de cada dosha.

Características da Vata

A vata combina as qualidades de dois elementos, o éter e o ar, sendo este último o aspecto mais determinante. Consequentemente, as pessoas em cuja constituição predomina a vata terão uma personalidade errática, mutável e propensa a explosões de actividade.
As palavras seguintes exprimem o essencial da energia vata:
Errática: espasmódica, caprichosa, irregular e agitada
Dispersa: espalhada, evaporante e dissipada
Clara; vazia, mutável e fluida
Subtil: imperceptível, sensível ou oculta
Ligeira: frágil, delgada, pouco consistente
Áspera: rude, irregular, vigorosa e recortada
Seca: estéril, enrugada ou engelhada
Fria: distante, amarga ou gelada.

Funções básicas da vata

  • Criação de impulsos e reflexos
  • Estimulação nervosa e transmissão de impulsos sensíveis
  • Manutenção da consciência
  • Circulação do sangue, do oxigénio e dos nutrientes
  • Estimulação dos sucos digestivos e regulação do peristaltismo
  • Eliminação e transformação dos tecidos Ejaculação
  • Expressão das emoçoes e estimulação das lágrimasI

Indivíduos com predominância de Vata

Aparência física

  • Esguios e morenos, de pele fresca e cabelo escuro, fino ou grosso, e encaracolado
  • As feições podem ser compridas e angulosas, de queixo fraco
  • Pescoço magro e descarnado, de nariz estreito e pequeno
  • Olhos estreitos, pequenos ou cavados, de aparência embotada e desprovida de brilho
  • Boca pequena e estreita, de gengivas recuadas

Características mentais

  • Criativos e artísticos, com tendência para se deixarem distrair facilmente por novas ideias
  • Capacidade para grandes entusiasmos e muita vitalidade

Problemas mais comuns

  • Ausência de suor
  • Sono ligeiro e caprichoso
  • Prisão de ventre, com fezes duras e secas
  • Serem agitados e distraídos
  • Esgotarem rapidamente as energias
  • Consumirem depressa a energia sexual
  • Fertilidade reduzida
  • Fraca memória de longo prazo
  • Serem receosos, inseguros e ansiosos

Características da Pitta

A energia pitta está relacionada com o calor e fogo, resultando de uma combinação dos elementos fogo e água, em que o primeiro é dominante. Consequentemente, os aspectos essenciais da constituição em que a dosha pitta predomina podem ser resumidos como quentes, penetrantes e irradiantes.
As palavras seguintes exprimem o essencial da energía pitta:
Quente: ardente, ansiosa, inflamada, fogosa e apaixonada
Ligeira: clara, brilhante, radiante e incandescente
Aguçada: penetrante, lancinante, estridente e cortante
Líquida: fluida, nebulosa e fluente
Oleosa: escorregadia, aveludada e gorda

Funções básicas da Pitta

  • Manutenção de uma temperatura corporal estável
  • Interpretação dos estímulos sensoriais
  • Regulação dos processos relacionados com a transformação, aos níveis fÍsico e mental
  • Qualidade, textura e brilho dos olhos e da pele
  • Visão
  • Assimilação dos pensamentos
  • Regulação da capacidade intelectual e dos poderes de raciocínio.

Indivíduos com predominância de pitta

Aparência física

  • Pele clara e suave, que se queima facilmente
  • Pele corn tendência acentuada para manchas, sardas e erupções inflamatórias
  • Rosto em forma de coração, com o queixo pontiagudo e bem definido
  • O pescoço pode ser de tamanho médio e proporcional ao resto do corpo
  • Brilho intenso nos olhos

Características mentais

  • As faculdades mentais tendern a estar muito despertas e concentradas
  • A informação é prontamer.rte captader e assimilada
  • Excelente memória para informaçoes básicas relacionadas com os progressos pessoais, mas má memória para os pormenores
  • Geralmente an-rbiciosos e confiantes, com muita coragem e entusiasmo

Problemas mais comuns

  • Suor profuso e com cheiro a azedo
  • Fezes soltas
  • Serem coléricos, irritírveis e fazerem juízos com facilidade
  • Serem ambiciosos, com possír,el tendência para excessos de entusiasmo e «esgotamentos» emocionais, mentais
    e físicos

Características da kapha

A kapha combina as qualidades dos elementos água e terra, com predominância do primeiro. Entre as principais características desta dosha incluem-se o peso, a solidez e a humidade.
As seguintes características essenciais descrevem a essência da energia kapha:
Pesada: densa, letárgica, obesa e apática
Lenta: inerte, com falta de brio, sonolenta e embotada
Suave: flácida, receptiva e confortável
Estática: calma, parada e difícil de rnover
Viscosa: rnLlcosa, suave, macia e escorregadia
Densa: pesada, firme, sólida e lerrta
Oleosa: aveludada, gorda e escorregadia
Fria: distante, glacial e enregelada

Funções básicas da kapha

  • Protecção e manutenção das membranas mucosas
  • Lubrificação das articr.rlações
  • Manlrtenção dos tecidos flexíveis do corpo
  • Regulação e distribuição do calor pelo corpo
  • Manutenção da energia e do vigor
  • Regulação da reprodução e longevidade celulares
  • Padrão e qualidade de sono

Indivíduos com predominância de kapha

Aparência física

  • Pele pálida, fria e oleosa, cabelo espesso e ondulado
  • Pescoço Iargo, cara larga e reclorrda
  • Olhos grandes e redondos, lábios espessos e cheios
  • Dentes de boa qualidade e gengivas saudirveis

Características mentais

  • Firmeza e fiabilidade mentais e emocionais
  • De aprendizagem lenta e com boa memória
  • Tendência para o pensamento lento e obtuso, sem grande desejo de novos desafios ou estímulos mentais
  • Grande capacidade para cuidar, alimentar; para se realizarem e se sentirem felizes

Problemas mais comuns

  • Tendência para suar facilmente com pouca actividade
  • Frieza constante
  • Prisão de ventre com digestões vagarosas
  • Excitação sexual lenta
  • Incapacidade para se deixarem apressar
  • Lentos de espírito, e com pouca flexibilidade mental

Retirado do livro Medicina Natural  – Um guia de saúde para toda a família,  de Beth Maceion

 

As necessidades humanas, a tristeza do fracasso

As necessidades humanas, a tristeza do fracasso

Estou convencido de que o homem foi feito para viver em paz consigo mesmo, cheio de uma alegria profunda.Estou convencido de que deveria acontecer no coração de todo o ser humana uma celebração da vida e do amor, não um funeral. Os profetas da tristeza, coma sua mentalidade e o seu vocabulário de «vale de lágrimas», sempre me soaram como algo de estranho. Como o velho Santo Irineu do século II, sempre acreditei que «a glória de Deus é um homem viver em plenitude!».

É óbvio, porém, que não existem pessoas sem problemas, nem uma vida utópica sem dor. A tensão que resulta dos problemas e da dor faz parte de um todo, e geralmente dirige a nossa atenção para uma área da vida em crescimento, um território em expansão. Quanto a mim não me arrependo dos problemas ou da dor pelos quais já passei, mas da apatia, dos momentos em que não estava «vivo em plenitude».

A tristeza básica da nossa família humana é que muitos poucos dentre nós se aproximam da realização completa do seu potencial. Concordo com a estimativa dos pesquisadores de que a pessoa comum realiza somente 10% do seu potencial. Vê somente 10% da beleza à sua volta. Ouve somente 10% da música e da poesia do Universo. Sente somente um décimo das delícias de estar viva. Está aberta apenas a 10% das sua emoções, à ternura, à surpresa e à admiração. A sua mente abraça somente uma fracção dos pensamentos, reflexões e compreensão se que é capaz. O seu coração bate somente com 10% de amor. Morrerá sem ter jamais vivido ou amado de verdade. Para mim, esta é a mais assustadora de todas as possibilidades. Detestaria pensar que o leitor ou eu podemos morrer sem ter vivido e amado de verdade.

A tristeza do fracasso

Se fomos feitos para estarmos plenamente vivos, porque vivemos tantas vezes de um maneira limitada?É que, na nossa vida como na vida de tantos outros falta algo para alcançarmos a plenitude ou, pelo menos, este algo não está sendo devidamente reconhecido e desfrutado. De algum modo, em algum lugar, alguma coisa não correu bem. Em algum lugar do caminho a luz falhou.

Todas as formas de vida têm condições ideais e requisitos essenciais para a saúde, o crescimento e a plenitude. Quando o meio ambiente de cada se propícia essas condições e requisitos, torna-se possível a plenitude da vida e a realização das riquezas potenciais. Quando as pessoas estão inteiramente vivas, dizendo um sim  vibrante à experiência humana total, e um amen do fundo do coração ao amor, é sinal de que as suas necessidades estão a ser atendidas. Mas quando ocorre o contrário, quando o desconforto, a frustração e as emoções doentias predominam na vida de uma pessoa, é indicio que as suas necessidades não estão a ser atendidas. Isto pode acontecer por falha dela ou daquelas que a rodeiam, mas o facto é que ela não está a receber aquilo que necessita. De algum modo, em algum lugr alguma coisa não correu bem na sua vida. O definhamento e a desintegração instalaram-se ali.

Do livro: «O segredo do amor eterno» – Jonh Powell

Editado por: Isabel Pato

Medicina antroposófica – Continuação

Medicina antroposófica – Continuação

Leia a 1ª parte do artigo aqui!

O conceito de tratamento da pessoa completa

Os médicos antroposóficos procuram proporcionar uma forma de tratamento realmente holística, tendo em conta informações relacionadas com os quatro aspectos básicos do ser humano, ou seja, os corpos físico, etérico e astral, bem como o ego. Do ponto de vista antroposófico, a doença é o resultado de um desequilíbrio ou desarmonia entre os corpos etérico e astral e o ego. Não optando automaticamente por uma medicação convencional em todas as situações de doença, e preferindo uma forma mais adequada de tratamento, os médicos antroposóficos propõem um sistema de cura que tenha em conta as necessidades do organismo humano a todos os níveis, incluindo o nâo material.

Os sistemas do corpo

Na antroposofia, o organismo humano possui três sistemas principais:

O sistema nervoso-sensorial

Inclui a actividade do cérebro, da medula espinal, dos nervos e dos órgãos dos sentidos, e está ligado aos processos catabólicos ou de desagregação. É dominado pelo ego e pelo corpo astral, permitindo o surgimento da consciência, da autoconsciência e da percepção consciente. É o «amortecimento» das forças etéricas/físicas por meio da actividade catabólica no sistema nervoso-sensorial que permite o desenvolvimento da consciência. O sistema nervoso-sensorial activa o corpo durante o dia; o sistema metabólico-membros está mais activo durante o sono. Consequentemente, os corpos físicos e etéricos são restabelecidos e renovados todas as noites, tendo a oportunidade de reparar danos que possam ter ocorrido durante o dia, como consequência da actividade do ego e do corpo astral.

O sistema metabólico-membros

Abarca a assimilação dos alimentos, a actividade metabólica, o movimento dos membros e do conjunto do sistema digestivo e do metabolismo. São processos tipicamente inconscientes, geridos essencialmente pelos corpos fisicos e etéricos. O sistema metabólico-membros participa nos processos de restabelecimento e reconstrução que ocorrem no nosso corpo sem deles termos consciência.

O sistema rítmico

Embora o ritmo se exprima em todo o corpo, tem uma afinidade especial com o ritmo da respiração e da pulsação, centrado na actividade do coração e dos pulmões. O sistema rítmico está especialmente relacionado com a manutenção de um estado de harmonia entre os sisitemas metabólico-membros e nervoso-sensorial, e desempenha um papel especial no processo de cura.
É um sistema que tem uma especial afinidade com os sentimentos e as emoções, que pode ser experienciada nas reações do coração e dos pulmões ao exercício ou
às emoções.

Os medicamentos

Os médicos antroposóficos procuram alcançar para além dos sintomas superficiais de doença, a fim de tratar a sua causa subjacente e restabelecer o equilíbrio e a harmonia no organismo humano. Podem utilizar medicamentos provenientes dos reinos vegetal, mineral ou animal para estimular o organismo para o processo de
cura. Consideram que os medicamentos que derivam de fontes vegetais estão especialmente ligados aos processos curativos e de restabelecimento do corpo porque, do ponto de vista da medicina antroposófica, as próprias plantas têm corpos físicos e etéricos (com potencial de reconstruçáo e reparação), mas não têm corpo astral.
Os médicos antroposóficos podem recorrer a medicamentos antroposóficos especiamente preparados (muitas
vezes com fórmulas de combinação ou em compostos especiais), medicamentos homeopáticos, óleos essenciais ou extractos de plantas. De acordo com as circunstâncias pessoais, um médico antroposófico poderá ainda prescrever medicamentos convencionais, seleccionados de acordo com princípios homeopáticos (isto é, se os sintomas do paciente forem semelhantes aos produzidos pelo medicamento). Contudo, convém notar que os médicos antroposóficos mostram, em geral, relutância a optar por medicamentos conencionais como alternativa óbvia no início da doença; não costumam, pois, recorrer automaticamente a medicamentos que possam ter efeitos secundários desagradáveis ou tóxicos.

As terapias artísticas

Dado que a medicina antroposófica assenta na premissa , de que a doença resulta de uma falta de harrnonia entre o ego e os corpos astral, etérico e físico, o objectivo do tratamento é recuperar um estado de equilíbrio ideal
entre estes elementos. Em apoio a este processo, podem prescrever uma terapia artística, como por exemplo a :
eurritmia, um sistema de terapia de movimento descrito por Steiner. A eurritmia utiliza movimentos específicos
de foma rítmica, em harmonia com a expressão verbal ou a música. A pintura, a música e outras actividades, artísticas podem ajudar a desenvolver um estado mais perfeito de equilíbrio e harmonia. Os terapeutas da arte trabalham em cooperação com os médicos antroposóficos; o tratamento pode ser individual ou em grupo, de acordo com as necessidades de cada situação. Nas clínicas antroposóficas, os terapeutas da arte trabalham lado a lado com enfermeiras, massagistas, hidroterapeutas e médicos.

A consulta

A consulta de um médico antroposófico pode parecer, inicialmente, muito semelhante a uma consulta de um
médico convencional, embora possa haver uma exploração detalhada de outros aspectos do estilo de vida e da dieta da pessoa. É possível que o médico interrogue o paciente sobre os seus hábitos e qualidade de sono, a sua dieta, as preferências e as aversões alimentares, e o bem-estar emocional. Como já se referiu, depois de ter sido feito um diagnóstico, os tratamentos prescritos podem incluir uma série de medicamentos ou terapias,
de acordo com as exigências de cada caso individual. Se perceber que o aconselhamento pode ser útil, é natural que o médico oriente o paciente para um conselheiro qualificado.

Doenças que a medicina antroposófica pode combater

Os médicos antroposóficos podem ser consultados para a resolução de qualquer queixa, mas há problemas que reagem especialmente bem à medicina antroposófica, entre os quais se incluem:

  • Amigdalite
  • Ansiedade
  • Choques e traumas emocionais
  • Ciática e lumbago
  • Depressões
  • Dores musculares e cãibras
  • Eczemas e dermatites
  • Febre dos fenos e rinite alérgica
  • Furúnculos
  • Gripe
  • Infecções nos ouvidos
  • Insónia
  • Má circulação
  • Problemas digestivos
  • Síndrome pré-menstrual e outros problemas menstruais, incluindo períodos dolorosos ou irregulares
  • Sinusite
  • Situações cancerosas e pré-cancerosas
  • Tosses e bronquite
  • Traumas físicos, como entorses e feridas.

Retirado do livro Medicina Natural  – Um guia de saúde para toda a família,  de Beth Maceion

 

 

Querer ter razão – uma doença infantil

Querer ter razão – uma doença infantil

Eis um aspeto pelo qual ainda muita gente gasta energias, tempo e saúde: querer ter razão…

É um aspeto que revela imaturidade, e que por vezes as consequências são elevadas, e na maior parte das vezes nem se percebe o mal que isso faz, a destruição que causa, só porque se quer ter razão. Gastam-se horas em discutir pontos de vista, gera-se um clima de “batalha” onde as armas são as palavras bem escolhidas, para que no fim se sinta que se ganhou a discussão.

Há também que espere anos para poder mostrar que em determinada altura teve razão!

Pequenas vitórias ilusórias, que ao mesmo tempo podem ser a origem de muitos distúrbios no organismo, devido à energia, sentimento e intenção que se coloca quando se defende o ponto de vista.

Mas…

Se cada um de nós é uma individualidade, que já viveu e experienciou determinadas situações e experiências, logo ficou com uma perspetiva dessa situação. Perspetiva essa que é diferente de outra pessoa que tenha passado por uma experiência idêntica, mas, devido a sua forma única de ser, tem uma perspetiva completamente diferente!

Vejamos, há pessoas que adoram o verão, e têm muitos argumentos para mostrar que o verão é bom! Mas por outro lado, também há pessoas que adoram o inverno, e que também têm mil e um argumento para mostrar que o inverno é que é bom!

Quem tem razão? Ambos.

Porque cada um, é igual a si mesmo, e cada um só consegue ver até onde é capaz de enxergar. Adianta discutir, até à exaustão só para ter razão?

Ao longo do meu percurso, tenho me deparado com casos, em que provar que se tem razão, é uma questão de vida ou morte. Pessoas que se consomem em raiva e ira até conseguirem provar que estão certos, e que o resto do mundo está errado. Vivem numa luta constante, alimentando cada vez mais essa atitude egocêntrica, debilitando cada vez mais o sistema imunitário sem se aperceberem do malefício que praticam a todo o instante contra eles mesmos.

Também já fui assim. Recordo-me de uma formação em que a dada altura se falou do abacaxi e ananás, e surgiu a duvida de qual era mais doce. Uns diziam que era o ananás e outros o abacaxi… A dada altura, um dos formandos enviou uma mensagem a alguém conhecido, pedindo que fosse pesquisar na internet qual dos dois era mais doce.

Mais de uma hora depois, em já ninguém se lembrava da história dos ananases, ele interrompeu a formação para afirmar que era o ananás o mais doce, e que ele tinha razão…

Ficamos todos a olhar para ele, meio espantados, e um silêncio constrangedor instalou-se na sala… Enfim… Mas ele provou que tinha razão.

Eu não quero ter razão… Eu quero ser feliz!

Uma frase célebre do poeta Ferreira Gullar, uma sábia frase! Querer ter razão, é a atitude mais insensata, para se ter, nos dias de hoje.

Numa altura em que tudo muda em questão de segundos, em que o que era verdade ontem, hoje já não é tão verdade assim, de que vale querer ter razão?

Numa época, em que o que é verdadeiramente relevante são os elos que se criam com o nosso eu interior, em que é preciso estar em sintonia com tudo o que nos rodeia para se criar bem-estar e felicidade, querer ter razão está completamente fora do caminho a se percorrer.

Continuar a fazer birras para se provar que se tem razão, é infantil e é esse o exemplo que damos, inclusivamente às nossas crianças. Não queremos que elas façam birras, mas nós continuamos a fazê-las.

Querer ter razão é uma doença infantil.

Isabel Pato

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