Quando eu era jovem e cheio de entusiasmo, falei a um homem mais velho e mais sábio sobre a minha vontade de ocupar todo o meu tempo e as minhas energias a amar os outros. Ele perguntou-me, gentilmente, se eu ia amar-me a mim mesmo com a mesma determinação. Respondi que quando se ama os outros não se tem tempo para se amar a si mesmo. lsto pareceu muito edificante. No entanto, o meu amigo mais velho e mais sábro olhou para mim durante algum tempo, pensativo, e disse, finalmente:
“Está a seguir uma rota suicida!”

A minha resposta imediata foi: “Bela rota a minha, então!”

Mas, naturalmente, ele tinha razão.

Agora sei o que ele sempre soube:

O verdadeiro amor pelos outros tem como premissa um verdadeiro amor por si mesmo.

Para compreender o que significa amar-se a si mesmo, vamos, primeiro, perguntar o que signiÍica amar o outro. No capítulo seguinte gostaria de investigar as implicações e os signiÍicados mais profundos do amor. Por enquanto, vamos dizer apenas que o amor envolve três aspectos:

  1. O amor reconhece e reassegura o valor único e incondicional do ser amado.
  2. O amor reconhece as necessidades do ser amado e tenta atender a elas.
  3. O amor perdoa e esquece as faltas do ser amado.

Quando nos pedem para «amar-mos o próximo como a nós mesmos”, a implicação desta afirmação é evidente: o que fizermos pelo nosso próximo deveremos primeiro e também fazer por nós mesmos. Por outras palavras, trata-se de um presente duplo. Cada um tem duas pessoas a quem deve amar: ele mesmo e o próximo. Não é possível amar um sem amar o outro.
Para compreender como isto funciona na prática, pode ser útil imaginar-se cada qual como sendo uma outra pessoa, a quem deve amar de verdade. Tome uma certa distância e pergunte-se: tentas realmente ver e confirmar o valor único e incondicional dessa pessoa (teu)? Tentas compreender e atender às necessidades dela (tuas)? Perdoas as faltas e os erros dela (teus)? Pensa nisto. Consideras essa pessoa tão carinhosamente como fazes com os outros a quem mais amas? Ofereces-lhe a mesma espécre de calor e compreensão que ofereces a eles?

Um exemplo final. Vamos supor que alguém lhe pede um favor. O mandamento do amor diz que o leitor deve tentar atender às necessidades do seu amigo, mas há também uma outra pessoa que deve ser considerada com a mesma atenção: o proprio. Vamos avaliar as suas necessidades. Uma delas é sair de si mesmo para amar os outros. O único modo de ser amado é amar. As únicas pessoas realmente felizes são aquelas que encontraram alguém, alguma causa para amar e a que dedicar-se.
Além desta, pode ter outras necessidades a considerar. Pode necessitar de descanso, ou ter uma obrigação urgente a cumprir, etc. Pode ser que, considerando todas as circunstâncias, tenha de recusar o pedido do seu amigo.
O que estou a descrever não é preocupação consigo mesmo ou narcisismo. E simplesmente a descrição de um amor equilibrado, oferecido com a mesma atenção a própria pessoa e ao próximo. Este equilibrio é quebrado quando damos toda a nossa atenção apenas a nós mesmos ou quando a oferecemos apenas ao proximo. Nenhuma dessas atitudes e humanamente viável. Nenhuma delas se refere ao verdadeiro amor.

Do livro: «O segredo do amor eterno» – Jonh Powell

Editado por: Isabel Pato

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